Please, read me

7 08 2010

Em algum momento da sua vida, em algum segundo fora da métrica do tempo – como quando o seu coração sofre uma ligeira arritmia em que ela tenta escutar no silêncio a consequência deste descompasso – ali, bem naquele instante, um suspiro levou o seu diafragma à triste constatação do nada.

A boca que abriu-se para o vazio encontrou a escuridão a esbarrar nos dentes.

Lambeu a intrusa com gosto. Convidou-a a deitar-se ao seu lado.


Ações

Informação

4 respostas

7 08 2010
Carol

I read you with pleasure!

7 08 2010
gauchemiroir

Que honra!

7 08 2010
Me and my crazy self

Escrevo isso após o acúmulo de anos de leitura dos seus textos. Não apenas sobre esse excerto acima, portanto.

Uma pequena exegese sentimental. Uma orelha de livro que rasgou com o tempo. A página manchada de café e os dedos cheirando nicotina.

Blood on the tracks tocando numa ilha deserta.

Nunca entendo totalmente seus textos. Será isso bom? A constatar nos próximos capítulos.

Há sempre uma sexualidade/erotismo latente neles, permeado por algum fantasma erótico que há muito não está entre nós, mas que deixou seu rastro num perfume exótico.

O bruxulear das velas da alma. As cortinas balançando ao sabor dos séculos. Ele está chegando, mas sempre parte logo. Os lábios pegando fogo, enquanto você está de cabelos molhados.

O Ser e o Nada. Nadou nadou e não deu nada. Me perdi da minha namorada/o. Faltou açúcar na minha limonada. (P.Leminski)

Alguém que tomou um elixir mas ainda permanece sonhando acordado e amando sonâmbulo.

Algo que fica no ar. O grito do ginasta, o medalhista sanguíneo. A mulher arrebatada por sabe-se lá quem, e por quais motivos? Agora ela ama meu amigo…

Há sempre um soluço contido Há sempre a multiplicação das lágrimas num amplo manancial, há sempre os braços abertos para acolher Alguém. Mas que logo estará de partida, sabe-se lá pra onde.

Talvez seja eterno. Talvez azede rapidamente como uma garrafa de vinho.

Talvez nunca volte, talvez nunca telefone. Talvez esteja tatuado no ventre pro resto da sua vida.

Talvez ele te ame em uma vigília eterna, e quando você abrir os olhos, ele se foi, como a alma liberta de um pássaro, riscando o céu do crepúsculo cor de vinho. E ele não saberá mais de que matéria é feita o sofrimento da existência, o júbilo do amor, e a limpidez de uma lágrima ardente, daquele que um dia lambeu-a com gosto, como se seu corpo tenro e seus lábios macios fossem a consistência e a matéria do Amor.

17 08 2010
Rodrigo Saffuan

Fui eu quem deixou o texto acima. Mas como nunca consigo causar uma impressão digna de nota…me identifico.

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